Nossa mais poderosa força de segurança nacional - energia elétrica - atiçou, novamente, seu pedido de socorro, com mais um apagão sintomático e denunciador de que o País está exposto a um perigo iminente. Isso aterroriza, pela exposição, a qualquer momento, de uma embolia na corrente elétrica, num País do tamanho de um continente sul americano. Ninguém do setor responsável para uma explicação ao povo, cujo silêncio já denuncia o inexplicável. Algo está velado. Importante o pronunciamento, na Câmara dos Deputados, do nosso conterrâneo e companheiro de Lions, deputado Raimundo Gomes de Matos, solicitando ao governo "urgência dessas desmandas" e denunciando que os investimentos para energia elétrica são insuficientes. Estarrece a qualquer brasileiro saber que a tecnologia do nosso sistema energético, quase todo gerado pelas poderosas hidrelétricas, das fronteiras do Uruguai até o Amazonas, está unificado por um cinturão de redes de alta tensão, talvez o mais extenso do mundo. Essa malha mantém prisioneiros todos os elétrons roubados dos átomos dos monstruosos dínamos ou geradores de cada usina. Eles circulam buscando, pela fiação, uma oportunidade para fugir e fechar o circuito com o polo positivo do átomo. E aí se dá o milagre da força, luz e calor, por essa energia resultante, que vai atuar desde a musculatura e o sistema nervoso dos seres vivos, até a geladeira, televisão, metrôs, celulares, elevadores, hospitais, aeroportos, serviço de som, as nossas residências, nossas vidas. Depois que conquistou total comando sobre a energia elétrica, o homem tem sabido aproveitar-se desse potencial nos mínimos e macros detalhes. Esqueceu, entretanto que agora somos escravos dessa mesma energia, sem a qual voltaremos a idade média. O Brasil arca com dois grandes problemas: gerar mais energia e encontrar condições tecnológicas para domar e controlar sua distribuição neste País continente. Os apagões podem ser falta técnica que evite a fuga dos elétrons buscando a liberdade, para se unir aos raios e tempestades, no formidável show orquestrado pela mãe natureza.
Fonte: Diário do Nordeste